Relato de minha breve passagem por Betel

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Relato de minha breve passagem por Betel

Mensagem por Regis Medina em Sex Out 15, 2010 9:22 am

Este é o relato de minha breve passagem por Betel



Dois meses em Betel - Minhas impressões

Eu era pioneiro e fui "convidado" (recusar tal oferta era extremamente mal visto pelos anciãos fechando futuras portas)a servir em betel por 2 meses. Santa papelada, tinha de responder sobre tudo até se tinha parentes doidos é engraçado mas verdade. Tive de fazer e pagar (claro)o INSS como trabalhador autônomo(é obrigatório). E lá fui eu. já na rodoviária de Tatuí conheci outro pioneiro "Phil Collins" meio careca que também fora convidado e nos tornamos amigos apesar dele que queria ficar em betel e eu que queria fazer a escola do Ministério que formava pioneiros especiais(e o compromisso de ficar dois anos sem namorar). A questão mais importante para mim foi o choque de visão, entre quem estava fora no mundo real e os internos incrivelmente alienados de quase tudo e esta visão não é de quem "estava fraco na fé”, pois eu tinha e muito. Em geral o betelita é um ser com muito orgulho de estar lá e tudo de importante e que deve ser estudado esta lá e lá é um pedaço do que será em toda terra(isto foi me dito inúmeras vezes). Ótimo se tudo fosse realmente lindo! Fui recebido com muitos outros convidados fizemos um tour para conhecer o lugar, até a ora do almoço. Aí começou meu primeiro problema, pois por incrível que pareça tínhamos de ficar em pé no meio do refeitório enorme esperando que após a oração algum ancião de betel que fica nas cabeceiras das mesas nos desse um sinal que tinha algum lugar sobrando!
Não tínhamos um lugar para nós, isso lavava um desconforto a todos voluntários. Éramos cerca de 20 em pé, dava até dó do ultimo pois a refeição é rápida e se chegar muito atrasado se lascou! Se tem sorvete pior ainda pois o povo vem em massa e tem poucos lugares(sem falar as irmãs gulosas que vem com potes e faz a limpa com a gana de um refugiado).




Pink Squad


Alias com o tempo vc pega ódio do sinal (uma ou outra musica do cancioneiro em MID bem alto), para acordar, tomar o café(depois desse sinal não pode entrar no refeitório),ir para o trabalho,parar ,almoçar,voltar...entenderam né. Não posso reclamar das refeições pois eram boas, embora com bastante influencia norte americana, nunca tinha comido no café da manha ovos,lingüiça Josefina com geléia,aquelas panquecas fofas etc. Nosso quarto era grande só para voluntários e tinha um nível acima nele. Era um alojamento na realidade.
Como todos vínhamos de fora tivemos as mesmas impressões. E mais algumas... como o Pink Squad que logo chamou a atenção e acabou dando problemas. Alguém já ouviu falar do Pink Squad de betel?

Era como os betelitas chamavam um certo grupo de irmãos que sempre estavam juntos, e logo chamou nossa atenção. Antes quero deixar claro que não sou homofônico e tenho respeito pela sexualidade de qualquer pessoa. Mas eu e os de meu quarto não éramos assim muito tolerantes naquela época. E esse grupo de irmãos se destacava na multidão pelos trejeitos uns menos outros bem mais, como um que era do correio parecia a Vera Verão em miniatura. Todos do quarto começaram a comentar e fazer piada e criticar o assunto abertamente em seus setores de serviço, principalmente na obra de construção civil e reforma da entrada principal onde 85% de nós estávamos (serviço pesado de servente e coisas do tipo jamais imaginei que iria ficar feliz de lavar banheiro, pois me mandaram para limpeza...ufa!). A questão tomou proporções maiores e o mais velho do Pink Squad, veio a nosso quarto e pediu para que um de nós conversasse com ele no refeitório após o almoço. E sobrou para mim. Isso foi de manha logo que acordamos. Depois do almoço ficamos no refeitório e ele começou a contar sua historia e a de vários do tal grupo.




No novo mundo não gostarão de faxineiros...


Foi uma lição para mim porque vi que eles estavam sofrendo duplamente, por não poderem ser quem eram e por serem motivo de zombaria em Betel a diferença é que era a boca pequena, mas com nossa chegada começamos a falar abertamente e isso iria lhes causar problemas. Todas historias que me contou são tristes e até trágicas muitos só tinham la para ficar. A noite voltei e relatei ao bando tudo que ele me falou e acordamos de maneirar com isso. Isso aconteceu na primeira semana e tinham outras coisas nos perturbariam mais adiante. A própria convivência com os betelitas estava começando a se desgastar, pois éramos tratados como irmão de segunda e ficávamos ofendidos com comentário de que a serviço em Betel era o mais importante que tinha para Jeová. É claro que nós que tínhamos de trabalhar de verdade no mundo lá fora e ainda ser pioneiro estávamos ficando cada vez mais bronqueados, e toda noite quando nos reuníamos o assunto crescia estava virando uma bomba relógio. Eu como disse estava na limpeza. Meu encarregado era um tal de Mauricio,mocinho cabeça de vento bem alienado que estava mais interessado em impressionar as irmãs que visitavam betel, era bem ruinzinho de conhecimento bíblico, mas até que era legal(pena que emprestou minha câmera com varias fotos e a esqueceu com umas irmãzinhas que visitavam , e não sabe de onde elas são). Eu saia com um carrinho de limpeza e era encarregado de cuidar de boa parte do bloco novo em frente a uma fonte onde tem a nova biblioteca, consultório do Dentista, laboratório clinico, apartamentos, muitos corredores, uma enorme sauna, um salão de ginástica com vista panorâmica e muitos aparelhos. Mas não podia ser usado por voluntários claro. Assim como a piscina. Nesse trabalho pude ter contatos com muitos betelitas em hora de expediente, é incrível como tem gente arrogante e mal educada la.

Subindo pelas paredes. Betelitas a perigo

. Lembra aquelas fotos de betelitas sorrindo e amáveis... Bem, tem, mais é em pequeno numero. Dou destaque para o laboratório que quando eu entrava para pegar o lixo me sentia como o próprio, eu dava bom dia, boa tarde e raramente alguém me respondia e friamente. La tinha uma morena técnica em patologia que era uma das duas únicas solteiras em betel, isso a tornava especialmente chata, pelo laboratório e pela solteirice (nível médio lá é PhD). A questão do casamento lá é de deixar betelitas solteiros em desespero, primeiro de medo, pois um casamento pode acabar com a carreira em betel, é muito difícil ser um casal de betel. A maioria é mandada para circuito ou pioneiros especiais, meio revoltados e sem preparo (isso explica muita coisa). Segundo por que estão todos desesperados por mulher, tem irmãos que estão envelhecendo lá em agonia e depressão por esse motivo. Conseguir um casamento é o paraíso distante. Sem brincadeira é de dar dó. Qualquer um que esteja por anos em betel e tem por algum motivo sair esta numa fria, eles não estão preparados para sobreviver aqui , como um passarinho que saiu da jaula. Eles são "comidos" em instantes, e muitos sabem disso.
É um pouco difícil ordenar as lembranças, sempre me pergunto se eu já não tinha evidencia suficiente para tomar uma postura, mas por fé a gente acaba insistindo.

"Status" - O bonito é ser feio

La em Betel começamos a perceber que havia também uma escala de importância. Vc pode até ser ancião, mas betelita é maior, vc pode ser betelita ancião, mas bom é o ancião de betel (únicos que podem sentar na cabeceira da mesa). Todos tem sua mesa e cada um sua cadeira certa. Dependendo de qual ancião de betel é a sua mesa, esse também reflete seu status. Algumas mesas são mesmo um must... Machado, Kikuta,não me lembro de todos os nomes tinha um (acho que alemão) missionário já meio velho e bem grosseirão que falava muito alto e era cheio de dar erguida em gente nova,tinha as irmãs gêmeas acho que eram francesas, (quando eu disse que só tinha 2 solteiras em betel naquela época, não contei as gêmeas, pois os betelitas também não contavam com elas, ambas na casa dos 80 ou 90) Esses antigos missionários, são muito assediados mesmo em betel, para ser franco eles não pareciam ter muito sossego. Fotos, tinha irmãos que pedia até autografo. Mas pelo menos esses bem idosos não davam muita bola para a badalação. Mas todos queriam ser seus amigos para ter um "status" Outra coisa que pesa em importância lá é a congregação que se da apoio. Quanto mais longe é sua congregação menos importante vc é. Agora se vc é da própria congregação de betel, ah então vc é o tal. Pois lá estão só os poderosos. Outra demonstração de status é vc ter uma cerimônia no salão de betel, somente famílias muito influentes com os poderosos de lá conseguem. Tudo isso fomos observando juntos e comentando a noite. Percebemos também outra coisa que da status é aprender inglês e participar dos estudos nesse idioma, muitos irmãozinhos só tem assinaturas em inglês e penam em participar nessas reuniões. Acabam até aprendendo, aos trancos e barrancos, mas o fator motivador é somente o status.

Bons de garfo, ruins de perna

Aos domingos ao sair no campo com eles era bem claro que porta em porta não era seu forte. Parecia que eram todos anêmicos, loucos para ir embora, mas na casa de irmãos eles tinham todo vigor do mundo. Comiam, falavam,contavam experiências que só eles souberam de missionários em visita a betel(isso também conta para o status com os de fora)e comiam de novo. Eu era outro tipo de alienígenas, tinha pressa em voltar ao campo, estava louco para usar a espada, minha pasta tinha pelo menos quatro traduções diferentes mais a interlinear ou a diaglote(pior que é serio). A tranqüilidade dos betelitas me dava nos nervos! Pois a tranqüilidade de betel não refletia a urgência que se pregava para os de fora. Betel sempre tem planos para o futuro, expansão, novas maquinas etc. O motivo de estarmos lá era bem esse, tinha um trabalho pesado a ser feito, meus companheiros de quarto chegavam que era um caco só,cimento, areia no cabelo,esfolados. Disso eu estava poupado. E pelo visto havia um motivo para não me colocarem lá. Já tinha avisado meu encarregado da limpeza, que quem é enviado para lá é para ser observado com intenção de ficar permanente. "Deus me livre", disse alto e claro e vomitei meus pensamentos. Ele me disse se eu tinha alguma qualificação profissional, pois eu estava realmente para ser observado. Eu era Técnico em enfermagem e tinha alguns anos de experiência em hemodiálise, e isso estava na ficha enorme que tive de responder antes de vir. E o ambulatório que fica no prédio antigo, estava sobrecarregado com os idosos que aumentavam, alguns bem debilitados.

Aparências e Valores

Alias com respeito aos prédios velhos, isso também é motivo de status, e muito do que pode dar status gera disputas, soube de varias historias de irmãs que atormentavam maridos e ancião de betel encarregados do distribuir apartamentos, tinha irmãs novas que fingiam problemas,fraqueza em subir o trecho dos novos blocos até o central, dores nas pernas, tudo para conseguir um ap vizinho de alguém importante. Isso gera piadinhas que correm por lá de irmãs que a anos querem subir de status e ficam de olho nos que estão bem próximos de se mudar para o bloquinho central um pouco acima da portaria (onde fica um pequeno cemitério onde estão antigos missionários e betelitas). É também onde o povo de Cesário Lange, conta para os filhos que se enterra bebes abortados pelas betelitas. Soube disso no campo da região. Betel atrai lendas para o povo local. Mas continuando na questão de status, eu também senti isso. Quando após uns 20 dias visitei meu salão, fui recebido como nunca até então, fui paparicado, todos queriam falar comigo o ancião presidente um senhor muito severo, serio e grosso, de quem eu tinha pavor e queria ficar longe se não fosse a filha(mas isso é outra historia),ficou boa parte da reunião com as mãos em meu ombro.Serio como pioneiro nunca fui tratado assim, o Alexandre também dessa comunidade foi meu grande parceiro como pioneiro, chegamos a tal ponto de dedicação (na realidade estupidez)de sair pregar com tratado especial de madrugada, para pegar o povo que estava nos pontos de ônibus para trabalhar e a tarde dormia, isso uma diversas vezes. Nunca deram a menor bola. Agora eu estava até folgado e sendo super bem tratado.

]A "Sabedoria" dos da dianteira

Esse ancião era muito usado no circuito e tinha muito status e gostava disso. Ele me chamou para a sala b e me disse mais ou menos assim: Reginaldo vc agora pode ter uma visão mais ampla da organização de Jeová, vc vai ter agora alvos mais elevados, vc será reconhecido por isso. Quando vou a congressos as pessoas apontam e dizem "Olha lá vai o "J. Silva." (Que ridículo, pensei) E ele todo orgulhoso de si, me contava que seria assim comigo. Meu sorriso amarelo escondia o nojo! Não tive na ocasião coragem ou segurança para rejeitar o que ele me dizia no momento, ele era um tipo que inspirava medo em todas TJs que não eram da sua "elite", incluindo anciãos. Nunca esqueci isso pois mostra muito como é a mentalidade de alguns da dianteira. Quando ele morreu cutuquei meu amigo Profeta que sabia dessa história e piadista que éramos satirizamos: - "Olha: - La vai o J. Silva"
Depois de voltar da visita em minha congregação, fiquei bem receoso com as expectativas que os anciãos estavam fazendo para mim.
Já em betel, apesar de todos voluntários estarem putos da vida, cada um também aproveitava a temporada do jeito que podia. Certa vez eu fui a meia noite e meia no primeiro andar do bloco central. La tem uma banheira por corredor, e eu nunca tinha estado numa. Fiquei até o primeiro toque da manha, saí arrumado e cozido. Essa foi a primeira fez que não dormi no quarto, a segunda foi quando fui a noite com os betelitas em Cesário Lange no restaurante de um irmão que ia fazer uma festinha, ia ficando tarde e os irmãos nada de ir embora, por fim dormimos na casa dele. Para o pessoal de meu quarto era só piada de novamente chegar de manha em pleno betel, mas eu estava aprendendo com a “nata” TJ.

Minha consciencia limpa e meu desapontamento

O que eu aproveitei mesmo, bitolado como eu era, foi a biblioteca de betel. Quase toda noite fui lá. É digno de nota que eu era praticamente um dos poucos a freqüentar ali, apesar de ter mais de 1020 betelitas na ocasião, se não me engano. Essa biblioteca é enorme (tendo em vista ser apenas livros com temas religiosos) e tem lá muito que os anciãos não gostariam que vc tivesse em casa, lá não tem só material da torre, tem inúmeros livros de referencias e comentários bíblicos de eruditos, traduções diversas, tem copias da septuaginta, de códices hebraicos, quase tudo em outros idiomas, mas eu ficava lá, babando, e tentando entender (nota: Isso me faz agora lembrar do comentário de Raymond Franz que disse no livro Crise de Consciência que na sede em Brooklin o departamento de redação era visto por outras TJs do local como local onde se bebia de Babilônia todo tempo em vista das consultas constantes de livros de outras denominações). Copiei quase inteiro o Ks em meu caderno apesar da advertência de não fazer isso bem grande na contra capa. Apesar de zeloso eu não respeitava as regras que para mim não faziam muito sentido, omissão de informação e segredinhos nunca me pareceu coisa honesta, minha consciência não se abalava por quebrar regras estranhas e suspeitas, mesmo sendo fiel a Deus. Devido ao fato de todos voluntários, estarem desgostosos e se sentindo humilhados e inferiores, começamos a ir cada vez menos nas reuniões de preparação da sentinela nas segundas a noite no refeitório e nas preleções que sempre tinham. Alguns viam a reunião pela tv (que era chamada por nós de Bezerro de Ouro) no circuito interno. Alias quando tinha reunião é só isso que pegava, a globo só é liberada de novo, quando acabava a reunião e depois acho que as 10 ou 11 não pegava mais, as luzes também se desligavam, só ficando o essencial nos corredores semi escuros de toda betel. É engraçado como vem algumas recordações. Lembrei de uma vez voltando da biblioteca (lá ficava sempre uma pequena luz) encontrei uma irmã com um monte de comida nos braços apoiadas no peito não lembro o que era (Nota: Eram pães de forma, muitos pães grandes), mas ficava numa mesa na entrada do refeitório para a seia de quem quiser, ela tinha feito a rapa total e ficou toda sem graça, sumindo rapidamente pelo escuro. Levava enorme vantagem quem tem frigobar no apartamento, é sonho de consumo de muitos e também motivo de status, as Marias sorveteiras que o digam, elas sempre tem sorvetes para dar as suas visitas. Antes de você conseguir repetir uma vez elas já tinham levado tudo em seus potes.
Nota: Sugiro oferecer sorvetes em alguma manifestação publica em frente a betel.

Anciãos uma rocha de refrigério... Caindo na sua cabeça

A noite em betel é fantástica, e acaba inspirando a fé, por não ter grandes cidades por perto, vc tem uma visão clara da via-lactea e é muito bonito. Poucas semanas antes de acabar meu período, recebi a visita de um ancião,que fazia pouco tempo que tinha sido designado, que eu tinha amizade desde quando ele era servo. Ele já era meio idoso, negão tipo armário, cujo passado de sargentão da PM era de arrepiar neguinho literalmente. Eu confiava nele e relatei minha pouca vontade de ficar em betel, e tentar a escola ministerial, porem confidenciei a ele que estava interessado em uma determinada irmãzinha, e que isso era para mim conflituoso devido o compromisso obrigatório de ficarem dois anos sem poder namorar. Ele com seu jeitinho, sargento de ser disse que eu estava sendo cogitado para ser designado ancião, mas que todos esperavam que eu não fosse besta de recusar um convite de betel e que eles já tinham mandado minhas referencias. E que eu estava fechando portas na organização e deveria pensar direito.Na verdade eles já tinham planejado minha vida. Antes de eu ser convidado como voluntário. Ele foi embora, sua postura tinha mudado comigo e comecei a ficar com uma pulga atrás da orelha. Já sabia do risco de ter problemas com anciãos, e isso estava começando a me cheirar encrenca de novo. Naquela época eu ainda era confiante em me abrir com as pessoas e no caso de anciãos isso é uma péssima idéia.

Betel é ilusão

Em meus últimos dias, com essa pressão a mais eu estava com nojo de betelita, e já estava dando patada até em meu encarregado, e criticando tudo que tinha visto até então. O pessoal da limpeza começou a ficar cabreiro comigo. Falei que os betelitas estavam dando mal testemunho a nós voluntários e que sairíamos de lá com uma péssima visão de betel e os de fora saberiam de quão fracos eles eram. Por incrível que pareça, após eu ficar puto de vez, eu fui muito bem tratado, fui realmente chamado para conversar com o encarregado do ambulatório, onde conheci um idoso missionário irmão Fischer, de cadeira de rodas, que soube ter morrido pouco tempo depois. Realmente o objetivo de minha presença era um convite para minha permanência definitiva. Disse tudo que pensava e minha frustração com o que vi em betel declarando minha clara recusa para o rapaz espantado. No meu ultimo dia o pessoal da limpeza vez uma festinha "surpresa” (faziam para todos que iam embora) nos despedimos, meu encarregado prometeu enviar minhas fotos assim que achasse as irmãs com quem ele deixou (deve estar procurando até hoje). Um representante de betel veio até nosso grupo que iria embora e fez um discurso sobre nosso trabalho... bla bla bla e falou que soube dos problemas ocorridos conosco e de que sabia da má impressão que "alguns" tiveram , mas que esperava de nós maturidade espiritual em não desanimar a outros e que betel sabia e reconhecia a importância do trabalho dos pioneiros. "Ah !!! me senti com a alma lavada!" Todo orgulhoso de ser pioneiro. Saia de cabeça erguida, fazendo banana para aqueles betelitas.
Que enorme otário eu era... Estava na maior encrenca e não sabia. Ou acham que eles deixam barato?

Nota de atualização:
É claro que pegou mau os voluntários terem saído de Betel com tantas queixas de tratamento diferenciado. Ficamos vistos como com tendências rebeldes. Ingênuos não sabíamos até então como este tipo de coisa anda rápido para as mãos dos anciãos locais, piorando ainda mais contrariar o desejo deles de ter um membro da congregação em Betel. O lugar no ambulatório que me foi oferecido, ficou para uma amiga de minha própria congregação que tinha há muito tempo este sonho, mas por ser mulher e solteira é mais difícil de ser aceita. Por fim uma outra amiga da qual estudamos juntos mas de outra congregação também foi para o ambulatório de Betel.
Esta última, chamada Joalbe, parece que ficou pouco tempo, se casou e saiu. A Primeira, chamada Patrícia parece que ainda continua por lá.
Eu com minha volta a rotina de pioneiro vivi o conflito de com vinte e poucos anos iria continuar tentando o curso da Escola de Treinamento Ministerial que como falei antes, naquela época se exigia alem de ser solteiro, o comprometimento de ficar 2 anos sem namoro. Difícil, né? Mad
Optei por namorar. I love you


Última edição por Regis Medina em Sab Out 16, 2010 11:23 am, editado 1 vez(es)
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Re: Relato de minha breve passagem por Betel

Mensagem por erreve em Sab Out 16, 2010 11:13 am

Grande Reginaldo,

Excelente relato!

Muito divertido, o que ajuda e encarar a seriedade do assunto.

Um abraço,
RV
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Re: Relato de minha breve passagem por Betel

Mensagem por Thanos Despertado em Seg Out 17, 2011 5:43 pm

KKKKKKKKKKK!!!!! VALE A PENA LER DE NOVO!!!!!
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Re: Relato de minha breve passagem por Betel

Mensagem por MariaL em Sex Abr 27, 2012 3:44 pm

Muito interessante o seu relato.
Sempre me irritaram as histórias sentinela/despertai de "a minha vida cor-de-rosa de TJ" e pensava, e o resto, como é o outro lado? Parecia tudo perfeito de mais para ser verdade.
Lembro-me de algo que o dirigente do estudo do livro a que eu assistia disse, há muitos anos: "Essas histórias dos anuários nunca se passam aqui em Portugal, nem com pessoas conhecidas..." Hoje, lembrando-me dele vejo sinais de um homem deprimido. Viúvo solitário, com filhos desassociados e que ainda teve a pouca sorte de fazer um segundo casamento infeliz. Nunca chegou a ancião, sempre ultrapassado por todos, apesar da idade.
Mas tenho uma pergunta porque achei uma coisa muito bizarra no seu relato. O que é isso de ter de ficar 2 anos sem namorar? Nunca ouvi isso. Tipo voto de celibato temporário? É preciso assinar alguma coisa? E se começar a namorar é expulso?

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Re: Relato de minha breve passagem por Betel

Mensagem por Johannes em Sex Abr 27, 2012 4:29 pm

"Essas histórias dos anuários nunca se passam aqui em Portugal, nem com pessoas conhecidas..."

E nem em lugar algum! Os exemplos sempre eram de pessoas que viviam em lugares distantes e tudo muito fantasioso (me veio na mente uma experiência de anuário onde falava de um homem que estava enfeitiçado por um bruxo local e sua barriga estava inchada como a de uma grávida! Depois ele se tronou TJ e bla blá...).

Hoje pelo menos eles trocam os nomes (porque hoje não existe mais lugar distante) e tudo tem um ar de fantasia declarada, sempre é um homem de nome André, blá blá blá...
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Re: Relato de minha breve passagem por Betel

Mensagem por Regis Medina em Sex Abr 27, 2012 5:11 pm

Parece-me que isso mudou MariaL, mas no meu tempo era exigido uma especie de voto mesmo. A pessoa que queria ir para a ETM tinha de se comprometer de não namorar por 2 anos. Não achei referencia disso no CD Watchtower, estranho pois era algo que se falava muito de boca em boca. Não me lembro se tinha algo escrito com essa regra.
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