Podemos chamar de apropriação indébita?

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Podemos chamar de apropriação indébita?

Mensagem por erreve em Sab Fev 19, 2011 10:08 am

Então eu fiz uma pesqusia sobre a seguinte declaração:

Tome-se, por exemplo, as estórias e as lendas relativas à origem do homem. Embora variem os pormenores, é bem difundida a crença de que o homem foi feito do pó da terra. Certa lenda grega afirma que Prometeu moldou do barro os primeiros humanos, e que Atena soprou neles a vida. Os índios peruanos empregaram o termo alpa camasca (terra animada) para descrever o primeiro homem. Uma tribo indígena da América do Norte, os mandans, criam que o ‘Grande Espírito’ fez duas figuras de barro e as trouxe à vida pelo sopro de sua boca. Uma antiga lenda chinesa afirma que P’an-ku fez figuras humanas de barro, com os elementos de yin e yang; outra lenda fala de Nu-kua, figura mítica, modelar homens e mulheres de argila amarela. E a lista prossegue infindavelmente, incluindo lendas entre os povos tribais da África e os habitantes das ilhas da Micronésia. - p. 5.

- "Muitas Religiões-Por que?" Despertai! (8 de julho de 1984), 5

Interessado em obter maiores informações sobre o assunto encontrei isto:

Entre muitos povos encontra-se o ensino de que o homem foi feito do pó da terra. Os gregos representam Prometeu moldando do barro os primeiros seres humanos e dando-lhes vida por meio do fogo que ele roubou dos céus. Os peruvianos chamaram o primeiro homem de Alpa Camasca, ou 'terra animada.' Os Mandans, uma tribo indígena da América do Norte, acreditava que o 'Grande Espírito' criou duas figuras de barro, as quais ele secou e animou com o sopro de sau boca. A uma foi dado o nome de 'primeiro homem' à outra, 'companheira.'

-Dobbins, Frank S., S. Wells Williams, and Isaac Hall. Story of the World's Worship (Chicago, Illinois: The Dominion Company, 1901), 64

Embora eu esteja certo de que muitos exemplos semelhantes possam ser encontrados, o mais irônico aqui é o fato de que a declaração no artigo de Despertai! aparece sob o tópico "Independente ou de Uma Fonte?" Minha aposta está numa fonte, a saber, o livro de Doobins.

Mebaqqer


MEBAQQER2. Can you say plagiarism?. Disponível em: http://www.jehovahs-witness.net/watchtower/bible/206114/1/Can-you-say-plagiarism. Acesso em 16/2/11

Achado interessante. Parece ser uma instância de dependência. A primeira coisa é que há três exemplos adjacentes em sequência: Prometeu – Peruvianos – Mandanos. Uma pesquisa no "Google Books" para "alpa camasca" + prometeus + mandans nos levam apenas aos livros de Frank Stockton Dobbins junto com um antigo trabalho (1871) de François Lenormant e Elisabeth Chevallier que pode muito bem, ter sido a fonte de Dobbins (na verdade, em ambos, o exemplo mandano é seguido pelo exemplo taitiano). Está, portanto, nos mostrando que apenas Dobbins e Lenormant/Chevallier usam os mesmos exemplos, no mesmo parágrafo e na mesma ordem que o artigo de Despertai!.

LEOLAIA. Can you say plagiarism?. Disponível em: http://www.jehovahs-witness.net/watchtower/bible/206114/1/Can-you-say-plagiarism. Acesso em 16/2/11
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Re: Podemos chamar de apropriação indébita?

Mensagem por erreve em Sab Fev 19, 2011 10:26 am

Não vejo como apropriação indébita. A STV apenas não citou a fonte de onde ela tirou a informação, é um pecado, mas não é um pecado mortal, desde que, diga-se de passagem, o objetivo da omissão não seja o de impedir o leitor de pensar a respeito da confiabilidade da informação .

Isto é exatamente o que acontece no comentário a seguir, quando uma forista, a Leolaia, usa a referência às publicações que foram usadas pelos redatores de Despertai! para concluir algo importante do fato de apenas duas publicações aparecerem referenciadas em pesquisas da Internet e, um tanto mais grave, a publicação mais recente (Dobbins - 1901) parece ter citado a mais antiga (de Lenormant e Chevallier - 1871), o que pode levar a várias interpretações, uma delas é que a informação da Despertai! não é tão confiável assim, falando-se historicamente, pode ser apenas uma especulação sem qualquer valor científico já que, na verdade apenas uma publicação (de Lenormant/Chevallier) a confirma.
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